segunda-feira, outubro 02, 2006

Partilha 4

num só verso, vários blues


o astro a si mesmo se conserva no âmbar da sua luz. não é, portanto, o astronauta, que alguns defendem no calor da discussão.
com o passar do tempo, o ourives das velocidades (deus) move-o com dois pauzinhos repugnados para o quilate da bugiganga. o mercado da delicadeza é um mikado.
e é assim que esta formiga com memória de universo, quando a acometem a mediocridade, o abandono, a solidão da humana porcelana, se torna poeta.


(Poema que será integrado na colectânea "A reconstrução de Nova Orleães". O seu assunto não é o mau poeta.)

1 comentário:

magarça disse...

Muito bonito. Fico a aguardar a colectânea...