segunda-feira, outubro 23, 2006

No plateau 2

A nova curta-metragem de Jean-Look Spiell Bergman tinha uma estrutura aparentemente simples.
Um lento travelling circular em torno da ilha de Murano (em Veneza), fundido com um texto da autoria do poeta Jean-Charles Rimelaire chamado a fragilidade não é uma opção. A acompanhar este letárgico plano-sequência, o vidro que separava a câmara da ilha (a janela de um barco) ia quebrando paulatinamente.
Mas Jean-Look estava insatisfeito. Mandou chamar um especialista no trabalho de vidro e colocou-lhe as seguintes questões:
- Seria possível sincronizar o quebrar do vidro com a duração global do plano-sequência?
- Haveria algum modo de tratar a rachadela de uma forma pictórica? (a fenda progressiva sendo dirigida por um pincel imaginário previamente programado no ADN do vidro)
- E música? Poder-se-ia tratar o desfazer do vidro como se isso fosse música concreta? Ligá-la ao ritmo e ao sentido do texto, comentar a paisagem insular lentamente revelada?
O cinema, quando não se submete aos efeitos especiais, comporta uma tremenda exigência de futuro.

Sem comentários: