terça-feira, outubro 17, 2006

Duas notas a "Transe"

1. No segmento russo do seu filme, Teresa Villaverde maneja a câmara sob a inspiração clara de Andrei Tarkovski. Já todos sabemos que, quando a influência não nos angustia, nunca nos tornamos plagiadores. Mas o que aqui releva é esta sensação que nos fica de que existe uma continuidade natural, afectiva, entre a estética que o autor de “Andrei Rublev” desenvolveu e a paisagem do seu país de origem. Como aconteceu, de outro modo, a John Ford e ao Monument Valley. Ou talvez não seja isso: as imagens de Tarkovski podem ser de tal modo contundentes que já é difícil contemplar a Rússia não urbana sem recorrer ao filtro de cinema que ele nos legou.
Onde surgiu primeiro o ouro: no ovo ou na galinha?

2. Parece-me que este drama assim exposto sem paninhos quentes, por vias travessas acaba por contribuir para a defesa de uma regulamentação jurídica para a mais velha profissão do mundo (uma discussão na ordem do dia). Onde há Lei, há pelo menos a ilusão de que nem tudo, no inevitável, é inevitável.

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