sábado, outubro 21, 2006

Clareza em castelo

Quando K. se torna testemunha ocasional do bulício matinal na estalagem dos senhores, fica pasmado com a irracionalidade que caracteriza as relações burocráticas e profissionais. O mundo à sua frente revela a sua imensa loucura. K. pensa ter conhecido algo de essencial: o Poder ficou mais claro.
No entanto, logo lhe vêm dizer que aquele espectáculo a que ele está a assistir não é usual, e que só está a tomar aquelas proporções porque K. está a ocupar a posição ilícita de testemunha. Em "O Castelo", a verdade nunca é objectiva, vemos apenas aquilo que a nossa presença torna visível.
De algum modo, Kafka tem uma pequena costela Kantiana.

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