Numa conversa com um antigo colega da faculdade, ele falava-me de um escritor qualquer que, nos seus textos, por vezes mencionava termos ou desenvolvia conceitos extraídos da sua formação académica, formação essa que o dito teria repelido a favor de outros interesses.
Resolvi tentar lembrar-me de quais seriam os resquícios do curso de Direito na minha escrita. E concluí que, pelo menos, três ideias jurídicas visitam esporadicamente os meus textos. A saber:
Comoriência - apenas porque é uma ficção proto-lírica que, em certos casos, consagra a simultaneidade da morte dos cônjuges para alguns efeitos legais (andará por aqui o mito do orgasmo simultâneo)
Usucapião - apenas pela crença metafísica de que o Tempo nos concede, de facto, direitos
Direito natural -porque sou fascinado pela "Antígona" (personagem, peça, assunto) de Sófocles
Todos os casos constituem desvios ao funcionamento regular do Direito. O que só confirma o meu desprezo por tal actividade.
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