segunda-feira, setembro 25, 2006

My vagabond shoes

Eu viajo para alimentar a imaginação.

Há cidades que já visitei mais de uma vez. Em alguns casos (Veneza, Edimburgo), não só o lugar me estimula a criatividade (chego tão cheio de projectos que aumento logo alguns anos à minha esperança de vida - ao que parece, a última coisa a morrer), como gosto também de lá estar. O meu corpo gosta de passear por ali, os meus sentidos acham sentido em tudo o que lhes é oferecido. Parece que descobri a minha orientação sensorial.
Confesso que Nova Iorque foi uma parcial decepção. Talvez porque toda a gente me contava maravilhas, e eu tenho esta mania infantil de ser do contra. Ou talvez não seja nada disso. O clique não se deu.
No entanto, foi uma decepção parcialmente proustiana. Pois o facto é que a cidade não me saiu do espírito. Talvez por causa da poesia (basta pensar em Lorca ou Cendrars) e do cinema (Scorsese, Woody Allen, mas também o já aqui falado "Metropolis" de Lang) que toma a grande metrópole por referência, talvez porque Nova Iorque exista essencialmente como mito (e o 11 de Setembro é uma variação negra desse poder de agitação), a cidade continua a fornecer combustível ao meu imaginário. A minha Nova Iorque é mais sonhada do que vivida. E essa distância (estimulante, criativa) só pode ser atravessada por sapatos de vagabundo.

(Fotografia de Stieglitz)

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