quinta-feira, setembro 21, 2006

A leitura prossegue

O protagonista kafkiano não é nenhum modelo de virtudes. E duvido que haja muitos leitores que se sintam plenamente identificados com ele (em "O Castelo", as dúvidas de Frieda quanto à rectidão moral de K. parecem perfeitamente legítimas).
Diria que é um personagem cuja perplexidade é bastante menor do que a que qualquer um de nós teria em idênticas situações (continua a pensar que é possível devolver alguma normalidade ao pesadelo, nem que este tenha a forma de um insecto), sendo essa falta compensada com uma combatividade não muito lúcida. Não é um herói hitchcockiano. Para Kafka, o Homem já está parcialmente contaminado pelas próprias regras da suspensão onírica.
Já agora, como não entender Klamm, do romance acima citado, à luz do contra-luz?

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