domingo, setembro 10, 2006

Fahrenheit 451

Sou um incondicional apreciador de Franz Kafka. Mas não o admiro por ter deixado, em testamento, instruções para os seus manuscritos serem destruídos.

Francamente, nunca gostei de grandes gestos, a não ser que grandes circunstâncias o exijam. E mesmo nesse caso... (eu defendo que Galileu salvou a ciência porque abjurou, ou seja, porque indirectamente a colocou ao serviço da vida).
Por outro lado, quando um autor quer destruir os textos que considera imperfeitos, está a ser mais vaidoso do que aquele que sonha com a sobrevivência da obra. No fundo, acha o seu potencial demasiado grande para a Humanidade, e para o Tempo.

Ainda por cima, se neste caso a vontade se tivesse cumprido, isso teria sido uma pura, simples, redonda estupidez.

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