As personagens do incompleto romance de Kafka, quando conversam entre si, insistem em gastar o tempo do diálogo a aclarar ideias, cada uma refutando o que a outra diz, corrigindo-a, limando-a, rescrevendo-a, como se a realidade à qual se referem fosse impossível de discernir com simplicidade.
Ora, quanto mais falam, quanto mais tentam ser claras, menos o mundo se torna nítido. Como se este fosse uma nódoa inexpugnável que nenhum algodão consegue enganar.
Basta ler o capítulo: Em casa do regedor.
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