quinta-feira, agosto 31, 2006

Síndrome de Estocolmo


A vaidade é uma doença incurável. E presumir-se são em tão universal epidemia é fazer figura de moralista hipócrita. Dizia Kundera que a vaidade era mesmo a grande motivação dos santos.

E, de facto, quem não quer coroar a sua vida (seja qual for o conteúdo desta) com um Prémio (no sentido lato do termo)? Francamente, não dizia que não a uma Ilha dos Amores (não setenta, mas pelo menos amores escolhidos a dedo por mim, e nada de virgens, que eu prefiro pessoal com experiência). E mesmo que sejamos genuinamente austeros, quando somos raptados por uma honraria, ao fim de algum tempo acabamos por achá-la simpática.

Estranho é que já com ela simpatizemos, e para ela trabalhemos, quando o rapto ainda não se deu. Não é ainda um problema de moral. É que o percurso assim vivido, deixa de ser pautado pelo prazer e pelo risco, e torna-se uma travessia no deserto de uma ideia fixa e infantil. Ainda por cima, podemos escorregar...

Que o diga Scorsese, por quem tenho imensa admiração, mas que nos últimos anos faz filmes para tentar ganhar Óscares. Continua de mãos a abanar. E os filmes... sem comentário.

1 comentário:

barbatuning disse...

Texto "mortal" e uma imagem espectacular.

Abraços